13 de janeiro de 2016

Estranhos

Há uma ponta de tristeza, de desilusão… como foi que chegámos aqui? 

Ver-me e ouvir-me na rua e não parar, não dizer adeus ou olá ou o que quer que seja? E sair disparado a atravessar a rua… ou no metro como no outro dia. Olhar sem ver. Rostos e vozes que não se reconhecem.

Amei tanto este homem, tanto!! Como é possível que agora o olhe e não me reconheça no seu olhar? Perdi tanto tempo a amar este homem. Dei tanto de mim. Do que sou, do que sinto. Daquilo em que acredito. Teria enfrentado tudo e todos por este amor. Sem pedir em troca mais do que o amor correspondido. Nunca quis mais do que me poderia ser dado. Mas queria que o tivesse sido.

Permaneci, anos a fio, em nome de um amor unilateral. A “paixão”, o “fogo”, o “desejo” morreu cedo do lado de lá. Nunca foi amor. Lutamos pelo que amamos, não lutamos?

Não é dor o que sinto agora. Não é zanga, não é mágoa. É tristeza. Uma tristeza profunda.
Por ter amado tanto alguém que agora não me reconhece. Em quem não me reconheço.

A proximidade torna inevitável que nos cruzemos de vez em quando? Talvez. Ou talvez não. Tem acontecido algumas vezes. Não o vejo. Não me vê. Não chamo. Não procuro. Adeus.

Terminou à muito. De verdade.
O sentimento, a tensão física, a vontade de estar perto. As “borboletas na barriga”.
Um dia olhei para o lado e estava lá outra pessoa. Era com “ele” que o olhar sorria. Com “ele” que o corpo queria estar.

Mas julgava-nos amigos. Julgava-o o meu melhor amigo.
Com quem podia falar de quase tudo. Rir, chorar, desabar de vez em quando. Irritar, discutir. Amuar. Concordar. Também faz parte, dizem.

Não contei sobre “ele”. Não partilhei. Há coisas que são só nossas. Que não partilhamos. Que vivemos a dois.

 Adivinhou-o, eventualmente. Talvez o tenha sentido em mim.
Comentou, de vez em quando. A “atirar para o ar” e tentar acertar. Mas não contei, não confirmei.
Era meu. Era “nosso”. Não era dele.

As “lentes mudaram” de cor… de repente já não era cor-de-rosa.

E na rua, lado a lado no sinal à espera para atravessar, os olhares que se cruzam, a voz que se ouve, já não é reconhecível e somos, de repente, dois estranhos.

13 de janeiro de 2015

E de repente passou-se um ano...

Ou quase, que tecnicamente ainda faltam uns dias.

Que ano longo, este. Ou curto, dependendo do ponto de vista.
Ia acrescentar "e feliz" mas hesito, por momentos. Acho que sim, que foi um ano feliz, no essencial.

Com partes gagas, também. Muitas. Tantas. E dores. Também. Muitas.
Sustos. Ausências. Separações. Angústias.

Operações. Silêncios. Despedidas. Desilusões (oh, sim... desilusões...).

E (re)descobertas. (re)encontros. Regressos.
Alegrias. Deslumbramentos. Eternidades e fogos-fátuos...

Com fins inesperados, surpreendentes. Não necessariamente tristes... não necessariamente dolorosos. Mas também, sim, também os houve tristes e dolorosos.

Sentir crescer distanciamentos anunciados. Consolidar distanciamentos em curso. Com maior ou menor dor.

E risos, tantos risos. E gargalhadas sonoras. E canções.
Sorrisos de fazer doer os maxilares. E lágrimas de alegria.

E tudo de novo... outra vez.

27 de janeiro de 2014

Adeus :(


25 de janeiro de 2014

Posso "roubar", posso?? Ainda vou a tempo?


E desejar exactamente isto aos meus e aos que amo e aos que, para minha imensa alegria, têm a  ternura de gostar de mim? Posso?

"O que espero de 2014?
Que não me leve ninguém, dos que amo. De doença, desilusão ou desinteresse. Mas se só puder fazer escolher uma opção, então que 2014 não me leve ninguém de doença. Se alguém tiver que sair da minha vida por desilusão ou desinteresse, então que vá por bom caminho e que a sorte esteja consigo. De doença é que não. Isso não.
Que traga mais gente, para gostar e cuidar.
Que me dê trabalho e aos meus. Ou então o Euromilhões.
Que nos dê sorte, também. É verdade aquilo que se diz, que a sorte dá muito trabalho. Mas também acredito na sorte pura e simples, naqueles acasos que a uns correm mesmo bem, e a outros correm mesmo mal.
Que não apague a chama que existe cá em casa. Caramba de chama boa, esta. Não gostava nada que se apagasse, assim como uma chama pequenina que alguém sopra, ou um incêndio grande que alguém extingue.
Que as palavras crise, austeridade, precariedade, desemprego deixem de ser as palavras mais ouvidas, ditas, lidas e escritas do ano.
Que sejamos todos mais felizes do que em 2013 (ainda que tenhamos sido estupidamente felizes em 2013)."


Feliz ano novo (que ainda é bem pequenino). Sejam muito, muito, muito felizes. 
Sem razão nem porquê. Ou com muitas razões.

Com maior ou menor esforço (que isto de ser feliz é coisa para dar trabalho!).
Mas sejam. Felizes.

E porque o mundo pula e avança... ficar feliz por tudo e por nada :)

Sem perceber porquê.

Sem entender como é possível, no 6º dia de trabalho non-stop sem folgas á vista.

Sem saber como, apesar do cansaço de 10/ 12 horas de trabalho diário, cada dia passa a voar e de repente temos uma semana novinha em folha quase sem dar por isso.

E de repente sorrimos a toda a gente, por cada motivo e por motivo nenhum.

E é tão bom ser feliz assim :)


24 de janeiro de 2014

Coisas que os outros escrevem

E de que eu gosto :)

"adorava não depender de validação externa, de poder ser o que quiser, empinar o nariz e fazer o que quisesse com a desculpa de que "eu sou assim", adoro o "eu sou assim, quem não gosta que ponha à beirinha do prato" mesmo à anos 80 em que a malta dançava em cima de mesas e cadeiras, lutava pelos seus ideais sem se importar com a sociedade, opah adorava, era tão mais eu, sincera, crua e inoportuna. admiro as pessoas assim, que dizem o que querem, quando querem e não se importando com os danos que podem causar, tunga, eu cá sou assim, aguentem-me. Poupava-me ulceras, poupava-me massa cinzenta a pensar qual a melhor maneira de dizer algo sem magoar, poupava-me vocabulário, poupava-me tempo, poupava me imensas coisas que me fazem falta para o resto, não sei bem qual mas sei que podiam orientar esses esforços para outros lados como por exemplo correr, preciso correr, tenho de começar a fazer ginástica ou estou lixada e pareço a idade que tenho.

Adorava não depender da validação externa e não me importar com o q possam dizer de mim mas tenho essa puta de mania de que quero que gostem, agradar, aceitarem-me. tenho essa coisa de querer que me aprovem, empatizem e me deixem entrar no "grupo" porque "you are one of us".

E não é por nada mas é que também sempre tive a sensação de que o mundo não pode estar errado e nós certos, é muito pouco credível isso de lutar contra a maré e eu sei disso porque hoje tomei banho em alto mar. "

In: Danos colaterais

ou a diferença entre estar numa equipa a que realmente se sente pertencer (apesar de tão longe, todos, fisicamente) e o silêncio da distância que me separou dos colegas do lado nos últimos anos....

9 de setembro de 2013

Eu hoje era mais dormir...

... mas diz que não, que não posso. Eu acho mal... muitoooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo mal!!! Zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz

26 de agosto de 2013

**

Apetece-me sorrir-te.
Ler-te.
Ouvir-te.

Saber de ti.

E é por isso mesmo que não o farei...

22 de agosto de 2013

*

Se imaginasses a minha noite...

... não sonhavas com o meu dia...

8 de agosto de 2013

Era uma vez uma velhinha, velhinha, velhinha. Que foi mirrando, mirrando, mirrando. Até que um dia… pufffft… deixou de estar lá.

Era uma vez uma velhinha, velhinha, velhinha. Que foi mirrando, mirrando, mirrando.

E ninguém reparou...

5 de agosto de 2013

Litle Smiles

Há dias em que acordo assim, feliz. Só porque sim.

Feliz porque está um dia lindo. Porque está sol. Porque está calor.

Porque é manhã cedo e tenho tempo para duche, mimos (a mim e á gata) e pequeno-almoço reclinada na cama, sem pressa.

Feliz porque me sinto bem, porque tenho um emprego (de que gosto, apesar do cansaço), uma família que amo profundamente e me faz sentir muito, muito amada.

Feliz porque depois de muito tempo, muito tempo mesmo, me sinto acarinhada pela parte mais importante desta equipa, aqueles que, para mim, são os que de facto importam. E pelos “outros” os de longe. Que me estimam, que me valorizam como formadora… que me fazem lembrar que fui um dia membro daquela tribo e serei sempre bem-vinda.

Esta manhã sorria ao andar pela rua. Apetecia-me dizer bom dia a toda a gente, sorrir de volta… nem a criatura mal-humorada que encontro, volta e meia, no autocarro e parece sempre de mal com a vida (fala mal de tudo e de todos a propósito de nada) me conseguiu tirar do sério por muito tempo.

Agora, fechada nesta cave sem janelas, numa formação que tem tanto de sonolento como inútil - para que me arrastaram assim que cheguei, dou por mim, ainda, a sorrir ao lembrar do sol lá fora… e é tão boooommm :)

24 de julho de 2013

miminhos :)

Tenho como regra, por feitio mais que por outra razão qualquer, que, de uma forma geral, os mails não precisam de ser enviados com conhecimento do "mundo inteiro". Principalmente os mails de trabalho.

Por isso, de uma forma geral, envio apenas com cc da equipa e respetiva chefia direta (ás vezes, dependendo da situação, nem isso) e sem incluir o "alto patenteado".

Umas vezes porque o assunto é interno e não tem interesse para mais ninguém, outras porque vai atafulhar as caixas de mail sem acrescentar nada de especial. “Não faças aos outros o que não gostas que te façam a ti…”. Principalmente se é uma chamada de atenção, um alerta (Catarina, a grande – czarina da Rússia – dizia “elogio em público, critico em privado”).

Dito isto, ontem enviei um mail para uma das minhas equipas solicitando alerta relativamente a determinada situação a um dos elementos. Nem um minuto depois recebi um telefonema "para te agradecer teres enviado sem conhecimento de XPTO...". Confesso que fiquei surpreendida... não era suposto? Já basta o que basta, né?

É, responderam, mas nem todos pensam como tu... por isso obrigado.

E eu, que o faço por convicção, que nunca serei, para o bem e para o mal, "estrelinha da companhia", que não preciso de “rebaixar” os outros para “brilhar”, fiquei enternecida...

Por repararem. Por saberem que estou e estarei sempre do lado deles (a menos que os valores da ética e brio profissional se imponham).

E é tão bom perceber isso três anos depois... faço finalmente parte da família? Dessa familia? Sim, acho que sim :)

18 de julho de 2013

Fugir

Outra vez

10 de julho de 2013

pois....

Estou só. Há demasiado tempo. 
Há momentos em que paro para pensar nisso... e reconheço que não me deixa particularmente feliz. 
Como esta manhã em que acordei angustiada e o pensamento me "perseguiu" por algum tempo.

Todos á minha volta são ou foram casados, Vivem ou viveram com alguém. Namoram. Têm filhos.

E são todos mais novos. Uns mais, outros menos. Mas todos mais novos.
Sou eu quem "destoa" no meio da multidão. Pela idade, também. Mas não só.

Nunca vivi com ninguém... nunca me passou pela cabeça. 
Nunca ninguém quis viver comigo ou mo propôs. Há experiências que nunca tive e, sinceramente, questiono se alguma vez terei.

Toda a vida soube que não quero ter filhos. É uma daquelas coisas que nunca questionei. Embora, volta e meia, brinque que a vida dá muitas voltas e quem sabe se um dia, em nome de um amor maior, não mudo de ideias.

Mas os anos passam... a idade, como um médico me lembrou no verão passado, não é minha aliada nisto da maternidade... falta pouco para uma eventual gravidez ser de risco. E para a eventualidade de ser "mãe-avó". Ou para a natureza seguir o seu curso...

Estou a tornar-me uma "solteirona"... alguém que vive sozinha há 16 anos. que nunca partilhou o mesmo espaço, alguém com quem nunca ninguém quis casar. Cheia de "manias"...

Um dia perguntei a um namorado (num momento de nostalgia a propósito da festa de alguém): "se eu prometer dizer que não, pedes-me em casamento?". Adivinhem a resposta... pois, foi isso mesmo. Um não redondo. E eu, feita parva, continuei aquela relação por algum tempo mais (não fui sequer eu quem pôs um ponto final). Mas devia ter terminado ali.

Não porque ache, ou achasse, que uma relação termina necessariamente nesse ponto mas, se alguém que está comigo há já algum tempo me dá uma resposta dessas... faz sentido continuar?

Acontece que sou assim... alimento ad eternum relações impossíveis. Sem sentido e sem futuro. Até que o outro lado desiste e se vai embora.

Quando a minha irmã foi mãe e o mano casou (com um ano de diferença, mais coisa menos coisa) eu não namorava. Também me disseram, nessa altura, que os manos me tinham "fechado a porta"... como se ficasse num limbo em que, por o mais novo ter casado e a mais velha ter sido mãe, nada mais me restava, a mim, a "menina do meio".

E a verdade é que se passaram 16 anos e nunca mais namorei... não, não quero que pensem que não houve ninguém na minha vida em todo este tempo. Houve, passados uns 8 ou 9 anos, mas houve. Só que não eram (não foram) "namoros", relações de descoberta e em construção.

Amigos "coloridos"... relações impossíveis condenadas á partida. Algumas com ternura, prazer e muita alegria. Outras com sentimentos mais fortes (eventualmente de ambas as partes) mas sem qualquer tipo de futuro. 

O triste, chato... comum a estes factores, é que eu sabia á partida que o eram e mesmo assim permiti que as coisas fossem crescendo ("o coração tem razões que a razão desconhece...") e depois... acabo sempre só.

Oh sim, ouvi coisas lindas. Vivi momentos fantásticos. Carinhosos. Leves.

Mas são momentos... fugazes.
Nos "amigos coloridos" (poucos, ok? Também não quero que fiquem para aí a pensar sei lá o quê!) houve muita ternura, muito divertimento. E acontecia pontualmente, se estávamos os dois para aí virados. Questões de carência, pele, disponibilidade... éramos amigos antes, continuámos amigos depois. Mais amigos até, parece-me :)

Já nos amores... aparentemente reciprocos... - fui "a mulher da minha vida" a que "me completa em todos os aspectos" e "nunca fui tão feliz como sou contigo..." - quando a porta se fechou, a escolha não fui eu. Quando foi preciso tomar opções... foi outro o caminho.

Portanto, não sou eu a mulher com quem se sonha ficar até o sempre durar... envelhecer, quem sabe?
E por isso me pergunto... será que há alguma coisa diferente em mim? Que assusta, que afasta, que não é o bastante para me quererem realmente? Terei eu um "defeito de fabrico" que não consigo ultrapassar? Estarei reduzida a esta condição de "solteirona", que se tem a si própria por única companhia, se escolher fazer o que quer que seja sem mamãe?

Há dias em que fico a matutar nestas coisas... angustiada com esta "solidão" relativa. Um dia disse, a propósito das muitas viagens Porto-Lisboa-Porto, "nunca há ninguém há minha espera..." e não havia. Não há. Há muitos anos, há muito tempo. Demasiado tempo.

Vejo-os em todo o lado, a todo o momento, a fazer e receber telefonemas. Ou mensagens. Para matar saudades, para fazer planos, para as coisas prosaicas do dia-a-dia... o meu telemóvel não toca. Não faz chamadas. Não recebe mensagens. Não destas, pelo menos. Ninguém bate há minha porta. Ninguém me espera em lugar algum.

Eu sei, com este lado pragmático que descobri ter, que o mundo não é rosa e preto. que estas pessoas não são, na maior parte do tempo, mais felizes que eu. Que terão, até, dias inversos ao que tenho hoje: "invejam" a minha "auto-suficiência", a minha liberdade de ir e vir, de não ter de dividir espaços ou dar explicações.

Não é, verdadeiramente, essa a questão. Estar só ou acompanhado.
A questão é o motivo porque estou só há tanto tempo. A questão é porque razão as escolhas de eventuais parceiros foram sempre outras... desde a primária que é assim (nunca namorei na primária ou no liceu, ao contrário de quase toda a gente). 

Eu era sempre a "engraçadinha" mas não suficientemente "gira" para quem se olhava duas vezes. A"tipa porreira". A amiga da "outra linda" em quem eles estavam interessados... a confidente, nalguns casos. Aquela com quem se podia brincar e falar de coisas sérias. Pedir ajuda e conversar. E na maior parte das vezes, fiquei realmente "a ganhar". Porque os namoros acabavam e as amizades não.

Esse padrão não mudou. Nunca se alterou. Numa ou duas situações, descobri que poderia ter sido mais do que isso porque afinal até "me achavam muita piada"... mas não aconteceu. Não foi dado qualquer passo nessa direcção. E porquê, pergunto eu? O que haveria em mim, o que há em mim, que afasta eventuais interessados? Que bloqueia esses "passos" que poderiam ter dado, ou não, origem a alguma coisa.

Anos mais tarde, num ou noutro caso, descubro que "tu é que eras a mulher certa para mim mas na altura não percebi isso...". Pois não, não percebeste. E agora é tarde, demasiado tarde. Por ti. Ou por mim. Ainda que eu fosse a mulher certa para ti, terias sido tu o homem certo para mim?

A minha amiga acha que, num dos caso, houve "boicote" por parte de um amigo comum. Segundo ela, o tal amigo, também estava interessado e de alguma forma dissuadia o outro de se aproximar. Eu não acredito. Acho completamente impossível. Mas ela acredita realmente nisso, sempre acreditou. Porque ele, o amigo, era o único que sabia que o interesse era mútuo. E podia ter "ajudado" a que as coisas acontecessem. Segundo a minha amiga... ele fez exactamente o contrário. Não sei. Não sabemos. E nunca saberemos, não é? :)

E há um caso em que, não tendo sido exactamente nas mesmas circunstâncias, uma amiga com quem me dei muito a certa altura, foi muito óbvia em relação a uma determinada pessoa em que ela estava interessada (e cujo interesse, físico, era reciproco) e que começou a ficar muito próximo de mim, Era bastante óbvia quando nos afastava e se insinuava perante ele. No ultimo dia de férias, "ganhou" o que queria, pelo menos deve ter ficado a pensar isso, e eu não ganhei nem perdi... não estávamos no mesmo plano de proximidade.

Nos quase 10 anos em que não houve realmente ninguém (nem mesmo "colorido"), diziam-me que era eu que não estava claramente disponível para ninguém e que, sem sabermos, emitimos esses sinais que, de alguma forma, leva a que eventuais aproximações são barradas á partida sem que seja preciso fazer o que quer que seja.

Não sei se será bem assim... mas sei que a primeira vez que voltou a acontecer, foi uma "surpresa". Achei que estavam interessados na amiga com quem estava, LOL. Se até eu fico surpreendida... não é lá muito bom sinal, pois não? :)

Talvez a minha mãe e o mano tenham razão: eu sou muito exigente... mais do que algumas pessoas, pelo menos. Ou não. Como poderei eu ser exigente, se não há ninguém do outro lado para descobrir?

Não quero que fiquem a pensar que vivo angustiada com estas coisas, não é de todo o caso. Na maior parte dos dias sinto-me muito bem na minha pele. 

Sou uma pessoa feliz. Gosto bastante mais de mim agora, a todos os níveis,do que gostava há 5 ou 10 anos. Vivo uma boa vida. Gosto do que faço. De quase todos os que me rodeiam. Da minha família. Do meu mundo de afectos. Gosto muito do meu cantinho de mundo.

Mas de vez em quando... apetece-me partilhar tudo isto com alguém. Não fica o mundo mais brilhante quando o vivemos a dois? Quem sabe um dia? 

O que tiver de ser, será...

5 de junho de 2013

Porque ele se vai embora....

... eu hoje estou um bocadinho órfã...   :\



30 de maio de 2013

O meu pequeno Paraíso :)

Há uns 4 anos, quase por acaso, descobri o “meu pequeno Paraíso”.
Estava a precisar de sol, calor, paz e recolhimento. A sós.

Uma amiga muito, muito querida falou-me neste lugar: bonito, tranquilo, seguro, “familiar”… com muito sol, calor e espaço para me permitir escolher ter ou não companhia.

Na época, de coração partido, precisava de sol, de calor, de tempo… para lamber as feridas e seguir em frente. Foi assim que lá fui parar.

E encontrei-o ... o meu "pequeno Paraíso".
Não sei explicar isso, essa paz , essa sensação de ter encontrado parte do “meu lugar”. Ali, juntinho á Ria Formosa, sinto-me em Paz. Perto e longe de tudo.

Olho em volta e tudo o que vejo é belo. Fecho os olhos e, se assim o desejar, a minha “banda sonora, é o mar a enrolar na areia, o vento, o miar ocasional de um gato (e há tantos, por lá!), o pipilar dos passarinhos logo pela manhã… e são muitas as aves por aquelas bandas: garças, cucos, andorinhas, gaivotas, pombos, melros (e mais meia-dúzia que não consigo identificar).

E há peixes no mar e na ria. E caranguejos que se escondem na lama :D

Sinto-me feliz quando estou ali. Num areal infinito, num mar sem horizonte. Em paz.
Volto sempre, desde aquela primeira vez. Pelo menos uma semana por ano. Algumas vezes, duas. Separadas.

Nunca mais estive sozinha (esteve quaaaaseee para ser desta vez :D ).
Voltei com mamãe. Com o André, por duas vezes. E com vóvó o ano passado.
Nem sempre estive tão em paz quanto desejaria. Mas foi sempre bom.

A minha “versão preferida” é esta: sozinha ou com mamãe (que mesmo sem amar o silêncio, aprendeu a respeitar e dar valor).

Voltei de lá este domingo. Depois de uma semana absolutamente maravilhosa em que não atendi chamadas de trabalho e ignorei mensagens familiares que me iam, no mínimo, “chatear” um bocado. Até o tempo ajudou (apesar de uma ou outra “careta”.

Com um “ganda bronze” elogiado por todos (desconfio que estou a começar a ficar convencida ;) ). E com a alma lavada, baterias recarregadas e muita energia. Feliz.

Voltarei sempre ali, tenho a certeza. Nem que seja apenas por uns dias. Amo aquele lugar. Era capaz de comprar casa e passar lá meses a fio...

E pensar eu que na minha busca de “cura” para o “coração partido”, estive tão perto do local em que a causa do mesmo passa férias regularmente, LOL. Felizmente eu não fazia ideia ou não teria ído. Descobri mais tarde, bastante mais tarde e acabei por achar, no mínimo, irónico :) O “destino” prega-nos cada partida!!!

Com ou sem o vosso “pequeno Paraíso”, sejam felizes, sim? Eu… tenho feito por isso :)



9 de maio de 2013

O "meu" dia da mãe :)

Todos os anos desde que voltei para Lisboa, que no dia da mãe faço o "almoço das mães". Tenho 3 na familia: vóvó, mamãe e a mana.O ano passado vóvó esteve presente, nos outros não.

Nesse dia, que lhes é dedicado, e porque são as 3, de alguma forma, minhas "mães" (embora ás vezes o processo esteja francamente invertido) mimo-as de forma especial. Dou-lhes prendas e faço um almoço todo xpto.

Adoro cozinhar para os outros, surpreendê-los e neste dia, mais do que em qualquer outro, esmero-me. E é engraçado como, de alguma forma, este almoço já se tornou uma "tradição". Já nem perguntam como é o dia da mãe. Está assumido que é lá em casa e pronto.

Encho a casa de flores para elas, faço a comida, os doces, as entradas, os aperitivos e tudo o mais que me lembro de que gostam e nem sempre estão lá. Este ano, por exemplo, os morangos com chocolate amargo foram a "piéce de résistence" e o verdadeiro sucesso do almoço (apesar dos muitos e gentis elogios em relação a tudo o resto :) ).

Mas este ano, este ano foi diferente.Porque eu também tive direito a "mimos de mãe"... :D


E fiquei, absolutamente derretida quando o meu amor pequenino entrou em casa com as flores na mão :D

O povo diz "amor com amor se paga" e eu sinto-me plena de amor, de amor "maternal" :D

Como não ser feliz com dias assim?
Que sejam felizes, os vossos dias. Sempre.

30 de abril de 2013

******

Sonhei contigo ontem. Outra vez.
Acontece, volta e meia.

Não são, necessariamente, bons sonhos. E o contexto é recorrente: tu e ela. Juntos. A "descoberta". Sempre. A "quase descoberta". Porque no sonho acontece de forma deliberada, consciente. Quase diria "preparada". Por ela, como uma "arma". Como uma constatação, uma cobrança/ punição de um qualquer castigo.

Ou por ti, talvez. Como os miúdos quando fazem alguma coisa e querem, sem querer, ser "descobertos". Não é bom. Não é simpático. Não é confortável.

Seja qual for o cenário, a intenção está sempre lá: uma porta entreaberta, por acaso, quando estou de passagem. Fotografias que, inocentemente, são mostradas. Como quem não quer a coisa...

Raramente há o facto, propriamente dito. É mais... a confirmação. Um "qual a foi a parte que ainda não percebeste".

Há sempre alguma dor, deste lado. Alguma "crueldade", prazer, "vergonha"... do outro.

E a pergunta fica no ar: porquê? Sem que eu saiba realmente a quem se destina: a ti ou a ela. Parece-me que hoje a pergunta é para mim: porquê o sonho, porquê hoje. Pensava-nos mais desatentos, mais distantes (de uma maneira boa, sem drama) apesar de, como sempre, juntos.

Portanto... porquê. Para quê? E seja qual for a resposta, não gosto. Não gosto destes sonhos que me incomodam, perturbam o dia e tiram o sono.

Não... não gosto destes sonhos.

14 de março de 2013

Manhãs de sol :D

Gosto de dias assim. Com manhãs brilhantes de sol e um frio de cortar a respiração.

Gosto de manhãs limpidas e solarengas, antes do caos do trânsito e das pessoas.

Gosto de árvores nuas de folhas em que as flores rosa, lilás, brancas, pequeninas, começam a despontar.

Gosto das manhãs de sol que prenunciam a primavera. Hoje, hoje é uma dessas manhãs cheias de promessas...

13 de março de 2013

Francisco I, o Papa Argentino

Nunca gostei de Bento XVI (e, quando fui a Roma e "vi" o papa, até era ele). A resignação, elogiada por tantos, fez com que gostasse ainda menos.

O "meu Papa" foi João Paulo II. E creio que será sempre. Gostei dele desde o 1º dia. Lembro-me da eleição e as recentes reportagens que o trouxeram de volta, recordaram-me o dia em que aconteceu e as palavras que proferiu naquela varanda. Gostei dele desde esse momento e até á morte.

Não temos, necessariamente, de concordar com as mesmas ideias (embora haja, naturalmente, muitos pontos de concordância) para gostar de alguém. Mesmo não sendo, como é o caso, especialmente católica ou apologista do Vaticano (que não me comoveu).

Li, quando era miúda, as "Sandálias do Pescador" do Irwing Wallace. Nesse momento, o Vaticano desmitificou-se e passou a ser, para mim, uma mentira e ostentação desnecessárias. Mas João Paulo II é João Paulo II e, do homem, guardo a ternura e uma certa saudade.

Mas, dizia, não gosto de Ratzinger. O "Papa emérito". Bento XVI.
E desconfio que vou gostar de Francisco I. Pelo sorriso. Pela humildade. Pela postura de ontem aquando da eleição. Pelo nome que escolheu.

Gosto de S. Francisco. Sempre gostei. Gosto da ordem dos franciscanos. Nas traseiras da casa de mamãe, há um seminário de franciscanos por isso a sua presença sempre fez parte da minha vida. O único padre de que gostei e me levava, volta e meia, a missas, era franciscano - o Padre Filipe do Rosário. Sempre pensei que se Deus fosse o Deus do padre Filipe (humano, simples, generoso, falível) seria um Deus em que eu era capaz de realmente acreditar. Disse-vos já: não sou especialmente católica. Mas ou espiritual. Gosto de lugares de reflexão, como o templo Budista no meio do caos de Seul onde havia uma paz e um silêncio dificeis de imaginar numa cidade com mais habitantes que Portugal inteiro.

Por isso acho que vou gostar de Francisco I. Porque se a escolha do nome é, como dizem, um indicio do caminho a seguir, a marca de Francisco de Assis é de humildade e compaixão. E proximidade com o mundo.

Gosto disso.