... tu é que eras boa para andar lá aos tirinhos!!!
Euuuuuuuuuuuuu???? Euuuuuuuuuuuuuuuu era boa para andar aos tiros???? Comoooooooo??? Euzinha???? Mas que raio!!! O que é o faz pensar, ao olhar para mim, que eu era capaz de fazer tal coisa???
Estou triste, pronto!! Vou amuar e fazer beicinho :( Eu que sou um doce, frágil como um vidrinho de cristal, passo uma imagem assim tão... dura???
Dizem que as "recaídas", são sempre "piores". Nas doenças, nos amores.Sendo que por "piores" se quer dizer mais intensas, mais duradouras, mais marcantes. Numa gripe, a recaída pode dar pneumonia. Nos amores, uma paixoneta pode dar... paixonite aguda :D
Ok, eu sei que este preâmbulo é muito estúpido. Mas vem a propósito, acreditem ou não, de Barcelona. Do regresso a Barcelona.
Já vos tinha dito antes: gosto desta cidade. Mas desta vez gostei ainda mais. Apesar de ter chovido na recta final.
Vi coisas que não tinha visto antes. Demorei o olhar mais tempo em lugares que tinha gostado. Não revi todos os lugares. Mas descobri novos. Tive mais tempo. Usufrui das milhentas esplanadas.
E respirei fundo quando mamãe barafustava como uma criança amuada por andar a pé. E surpreendi-me com os lugares de que não gostou e que eu tinha a certeza que ia gostar... como as Ramblas (cheias de gente e confusão) ou o mercat de la Boqueria.
E insultei entredentes os espanhois que me levaram 40 euros por duas entradas e uma sangria numa esplanada á beira-mar. Ou 10 euros por um bife de atum sem qualquer... acompanhamento. Come-se mal em Espanha. Ou paga-se uma pequena fortuna para comer "menos mal".
Mas o ultimo almoço (fantástico!!) num restaurante Mexicano com um espanhol (ou será que ele era mexicano??) muito, muito, muito querido que me fez rir a cada minuto e mesmo muito depois de já ter saído a porta, quase me reconciliou com isso (e continuo a achar que os Barcelonenses não são nada simpáticos de uma forma geral. Em compensação, há homens lindos por todo o lado!!) .
Talvez porque estava outra vez sol, porque tinha acabado de sair do Palau e ainda estava em "estado de graça".
Ou pelo fado ouvido, inesperadamente, no minúsculo alfarrabista à porta do palau em que comprei os postais já que não são permitidas fotos.
O Palau, e o almoço Mexicano no "Rosa Negra", foram a despedida de Barcelona numa tarde cheia de sol.
20 anos eu viesse aqui, 20 vezes eu voltasse a Barcelona e o Palau ficaria sempre no meu coração.
É a segunda vez que aqui estou. A segunda vez que faço esta visita, passeio por estes corredores, ouço este orgão. É a segunda vez que me contam esta história. Quase igual. Com mais um ou outro detalhe, com menos um ou outro pormenor.
E é como se fosse a primeira. "Pode um edificio transmitir emoções?", perguntam-nos logo no inicio. Pode. Basta estar aqui.
Regressar a lugares que me fizeram feliz, com a tranquilidade de quem os revê, embora em segredo. Saber exactamente onde está o quê. Como ir para onde.
Mas permitir-me vaguear pelas calles e ver com um novo olhar.
Com mais tempo, desta vez. Menos independente, talvez. O que me vai obrigar a respirar fundo e “desacelerar”.
Estar mais tempo em cada lugar e descobrir o que já lá estava e eu não vi. Já lá estou, antes de chegar...
"...Mas desistir, desistir mesmo, é coisa que custa. Porque por mais berros que se dêem, por maior que seja a vontade de voltar costas e deixar o outro a papaguear sozinho, quando se gosta respira-se fundo. Conta-se até 320. Faz-se um esforço de memória para relembrar só que é bom. E, sobretudo, sabe-se que o dia seguinte será sempre melhor, mesmo que à noite haja palavras tortas e costas voltadas. Sou feliz muitas vezes, quase sempre, mas não sou feliz todos os dias. E sim, às vezes é tamanha a embirração, tamanha a ira, tamanha a falta de paciência para o que não é bom, que dá mesmo vontade de atirar pratos ao chão e gritar "FARTEI-ME!". Nunca parti pratos, já me fartei algumas vezes. Mas nunca as suficientes para bater com a porta de vez. Fica só ali ligeiramente encostada até que um tenha a presença de espírito suficiente para a abrir outra vez..."